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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

EFEITO BORBOLETA

Abre aspas
Por que este teu sorriso tingiu a tarde
Em tardio efeito radioativo?
Uma palavra arremessada sem direção
Desencadeou uma guerra nuclear
Entre duas paredes
O mundo todo se voltou contra mim
Teu cinismo bombardeando
O universo silencioso desta quarentena.

Alguém gritou pólvora
E um disparo seguiu o projétil coloquial irreversível
Foi a estopilha outrora faiscada em falsos riscos
Que aturdiu sem motivos a borrifar efeito colateral
Dentro deste falso espelho lágrimas plúmbeas
Evaporam o som destas rimas tétricas
Da poesia a solfejar melodia
Entre as brasas mornas do vento.
Fecha aspas.

Pablio Motta

AMPULHETA MOVEDIÇA

Leio no sol a direção do vento
Que trinca o tempo furtivo
Bate e descarrila
Na síndrome dos vagões
o efeito dominó
Nesta vida que saiu dos trilhos.

Pablio Motta

PÓLVORA E SANGUE

Um disparo à queima roupa
Foi tiro ou coração a galope?
Não olhei para trás
Segui pela estrada da vida; sangrando.

Pablio Motta

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

POESIA EM SANGUE E MERCÚRIO

A dor desse profuso instante é sólida
Na exaustão do fôlego almejo labaredas em teu olhar
O que fere modifica a trajetória
Corte raso de concreto a rasgar o abstrato
Há uma ausência presente nesse sentimento
De que os tempos mórbidos cessaram a era onírica
As rosas do amor murcharam
Serei eterno nesse momento efêmero de fumaça
Talvez cinzas do teu ósculo doce
Tenho no peito um escravo
Forte quando sou fraco. Fraco quando sou forte
O amor é a poesia que calou o coração.

Pablio Motta